A Praça do Capacete, na Avenida
dos Expedicionários, guarda uma das referências históricas mais significativas
de Itatiaia.
O monumento foi erguido em homenagem aos itatiaienses que
integraram a Força Expedicionária Brasileira durante a Segunda Guerra Mundial,
história também registrada e documentada pela Academia Itatiaiense de História.
Por isso, é compreensível que qualquer alteração naquele
espaço desperte sentimentos e opiniões diferentes. Há uma memória afetiva
construída ao longo de décadas em torno da praça, de suas pedras e da
configuração que todos aprendemos a reconhecer.
Mas preservar um patrimônio histórico não significa
necessariamente mantê-lo imóvel no tempo.
As próprias fotografias da inauguração do monumento revelam
algo interessante: a configuração que conhecemos durante décadas também não
era exatamente a original. A placa já estava presente, mas o capacete que
mais tarde se tornou símbolo do lugar e o revestimento de pequenas pedras foram
incorporados posteriormente.
Ou seja, o monumento também foi sendo transformado ao longo de sua história. E essas mudanças acabaram sendo apropriadas pela população e incorporadas à memória coletiva, a ponto de o capacete dar nome popular à própria praça.
Na recente intervenção, novamente houve uma mudança de
configuração, desta vez associada à reorganização daquele trecho da Avenida dos
Expedicionários e às necessidades atuais de circulação, segurança,
acessibilidade e convivência. Foram incorporados paisagismo, iluminação e uma
nova organização do espaço.
E o essencial permaneceu:
A placa foi preservada. O capacete foi preservado. A
homenagem permaneceu.
Os elementos, naturalmente desgastados pela ação do tempo,
foram limpos e passaram a ocupar um novo suporte, recebendo iluminação e maior
destaque na paisagem.
É legítimo sentir falta das antigas pedras e da aparência
anterior. Elas também fizeram parte da história afetiva daquele espaço. Mas
existe diferença entre apagar um monumento e ressignificar o espaço
em que ele está inserido, preservando sua memória e seus principais símbolos.
Neste caso, entendo que houve uma requalificação urbana que
modificou a forma, mas manteve viva a homenagem.
Como acadêmico da Academia Itatiaiense de História, acredito que preservar patrimônio é também compreender suas transformações, documentá-las e garantir que seu significado continue sendo transmitido às próximas gerações.
Porque patrimônio não é apenas pedra.
Que o capacete continue despertando curiosidade. Que a placa
continue fazendo com que aqueles nomes sejam lidos. E que os expedicionários
itatiaienses ali homenageados continuem ocupando o lugar que lhes pertence na
memória de nossa cidade.
A cidade pode mudar. A memória não precisa desaparecer
com ela.
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