quinta-feira, 20 de agosto de 2026

PRESERVAR NÃO É APENAS CONSERVAR A FORMA. É GARANTIR A PERMANÊNCIA DA MEMÓRIA.

 

A Praça do Capacete, na Avenida dos Expedicionários, guarda uma das referências históricas mais significativas de Itatiaia.



O monumento foi erguido em homenagem aos itatiaienses que integraram a Força Expedicionária Brasileira durante a Segunda Guerra Mundial, história também registrada e documentada pela Academia Itatiaiense de História.

Por isso, é compreensível que qualquer alteração naquele espaço desperte sentimentos e opiniões diferentes. Há uma memória afetiva construída ao longo de décadas em torno da praça, de suas pedras e da configuração que todos aprendemos a reconhecer.

Mas preservar um patrimônio histórico não significa necessariamente mantê-lo imóvel no tempo.

As próprias fotografias da inauguração do monumento revelam algo interessante: a configuração que conhecemos durante décadas também não era exatamente a original. A placa já estava presente, mas o capacete que mais tarde se tornou símbolo do lugar e o revestimento de pequenas pedras foram incorporados posteriormente.

Ou seja, o monumento também foi sendo transformado ao longo de sua história. E essas mudanças acabaram sendo apropriadas pela população e incorporadas à memória coletiva, a ponto de o capacete dar nome popular à própria praça.






Na recente intervenção, novamente houve uma mudança de configuração, desta vez associada à reorganização daquele trecho da Avenida dos Expedicionários e às necessidades atuais de circulação, segurança, acessibilidade e convivência. Foram incorporados paisagismo, iluminação e uma nova organização do espaço.

E o essencial permaneceu:

A placa foi preservada. O capacete foi preservado. A homenagem permaneceu.

Os elementos, naturalmente desgastados pela ação do tempo, foram limpos e passaram a ocupar um novo suporte, recebendo iluminação e maior destaque na paisagem.

É legítimo sentir falta das antigas pedras e da aparência anterior. Elas também fizeram parte da história afetiva daquele espaço. Mas existe diferença entre apagar um monumento e ressignificar o espaço em que ele está inserido, preservando sua memória e seus principais símbolos.

Neste caso, entendo que houve uma requalificação urbana que modificou a forma, mas manteve viva a homenagem.

Como acadêmico da Academia Itatiaiense de História, acredito que preservar patrimônio é também compreender suas transformações, documentá-las e garantir que seu significado continue sendo transmitido às próximas gerações.










Porque patrimônio não é apenas pedra.

Patrimônio é memória.
É identidade.
É pertencimento.

Que o capacete continue despertando curiosidade. Que a placa continue fazendo com que aqueles nomes sejam lidos. E que os expedicionários itatiaienses ali homenageados continuem ocupando o lugar que lhes pertence na memória de nossa cidade.

A cidade pode mudar. A memória não precisa desaparecer com ela.


Thiago Henrique Ferreira
Acadêmico e ex-presidente da Academia Itatiaiense de História. Licenciado em Artes Visuais e MBA em Curadoria, Museologia e Gestão de Exposições.


Fotos: Thiago Ferreira (20/08/2026) e acervo ACIDHIS.
Nota: o texto expressa uma reflexão pessoal do autor e não representa, necessariamente, o posicionamento institucional da Academia Itatiaiense de História – ACIDHIS.